sexta-feira, 24 de junho de 2016

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Merkel diz que Brexit é um 'golpe contra a Europa'; veja repercussão

Angela Merkel vai se reunir com líderes na segunda-feira em Berlim.
Outros líderes europeus também comentaram a saída britânica da UE.

Da France Presse
Brexit é um 'golpe contra a Europa e o processo de unificação', diz Merkel (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)Brexit é um 'golpe contra a Europa e o processo de unificação', diz Merkel (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)
A vitória da "Brexit" – a saída do Reino Unido do bloco europeu – é um "golpe contra a Europa, um golpe contra o processo de unificação europeia", afirmou nesta sexta-feira (24) a chanceler alemã, Angela Merkel.
Ela convidou o presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para uma reunião em Berlim na segunda-feira (27).
"Tomamos nota com pesar da decisão da maioria da população britânica", declarou Merkel.
Referendo
Em decisão histórica, que tem potencial para mudar o rumo da geopolítica mundial pelas próximas décadas, os britânicos decidiram em referendo deixar a União Europeia, com 51,9% dos votos. O resultado foi divulgado por volta das 3h desta sexta. A opção de "sair" venceu por mais de 1,2 milhão de votos de diferença.
A decisão ficou conhecida como "Brexit", que é a junção das palavras em inglês "Britain" (Grã-Bretanha) e "exit" (saída).
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Repercussão
Outros líderes mundiais também comentaram a decisão dos britânicos de o país deixar a União Europeia; veja:
Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk:
"Estamos determinados a manter nossa união como 27 (países)...  Irei propor que iniciemos um período de reflexão mais ampla sobre o futuro de nossa união."
Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz:
"Acredito que agora as negociações sobre a saída irão começar rapidamente."
      
Nigel Farage, líder do partido britânico Anti-UE Ukip:
"A UE está fracassando, a UE está morrendo".
Presidente dos EUA, Barack Obama:
Obama disse em comunicado que respeita a decisão do povo britânico e afirmou que tanto o Reino Unido quanto a UE "vão continuar sendo parceiros indispensáveis dos EUA". "A relação especial entre EUA e Reino Unido é duradoura e a filiação do Reino Unido à Otan continua sendo uma pedra fundamental da política econômica, exterior e de segurança dos Estados Unidos", destacou ainda.

Presidente da França, François Hollande:
"A Europa deve ser compreendida e controlada por seus cidadãos. A Europa precisa agir rapidamente onde é necessário e deve, uma vez por todas, deixar os Estados membros lidarem com o que é seu domínio exclusivo", disse em discurso transmitido pela televisão.
Ministério das Relações Exteriores do Brasil
O Itamaraty afirmou que "recebe com respeito" o resultado do referendo e que manterá boas relações com a UE e com o Reino Unido. "O Brasil confia que essa decisão não irá deter o processo de integração europeia, nem o espírito de abertura ao mundo que caracterizam, e devem continuar a caracterizar, tanto o Reino Unido como a UE. Confia, igualmente, que todos os esforços serão feitos para assegurar uma transição suave e estável", diz comunicado.
Marine Le Pen, líder do partido francês de extrema direita Frente Nacional:
"A vitória da liberdade! Agora precisamos realizar o mesmo referendo na França e em (outros) países da UE."
Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier:
"A notícia vinda do Reino Unido é realmente atordoante. Parece um dia triste para a Europa e o Reino Unido".
Ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault:
"A Europa irá continuar, mas precisa reagir e redescobrir a confiança de seus povos. Isso é urgente."
Ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble:
"Eu esperava um resultado diferente. Agora precisamos olhar para a frente e lidar com esta situação..."
"O processo da UE para a saída (de um país) da União Europeia está definido claramente e será implementado. A Europa irá se mostrar unida agora."
       
Primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg:
"(É um) sinal tanto dos eleitores britânicos quanto de muitos outros de toda a Europa que sentem que a UE não está proporcionando respostas boas o suficiente para os desafios de hoje."
     
Primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban:
"Bruxelas precisa ouvir a voz do povo, esta é a maior lição desta decisão..."
"A Europa só é forte se puder dar respostas a grandes questões, como a imigração, que fortaleceriam a própria Europa, ao invés de enfraquecê-la. A UE não foi capaz de dar estas respostas."
     
Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski:
"Está é uma má notícia para a Europa, para a Polônia... tentaremos usar esta situação para conscientizar os políticos europeus da razão de isto ter acontecido. E aconteceu porque este conceito, que foi criado algum tempo atrás, não é mais popular na Europa."
Ministra sueca para a UE, Ann Linde:
"Precisamos mostrar às pessoas por que acreditamos que a UE é importante, por que precisamos permanecer. Temos que olhar as coisas que importam na vida cotidiana das pessoas, talvez onde tem havido ambiguidades, onde tem havido arrogância e onde as pessoas têm sentido que tem havido um projeto elitista... é uma situação muito séria para a Grã-Bretanha, mas também para a UE."
Primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon:
 "A Escócia deu um voto forte, inequívoco para permanecer na UE, e elogio esse endosso ao nosso status europeu."
Gianni Pittella, líder dos socialistas e democratas no Parlamento Europeu:
 "É triste, mas não é o enterro da União Europeia."
Hillary Clinton, provável candidata democrata à Presidência dos EUA
Hillary afirmou que respeita a decisão do Reino Unido de deixar a UE e disse estar comprometida em manter as relações norte-americanas com o Reino Unido e países europeus. "Nossa primeira tarefa é garantir que a incerteza econômica criada por estes eventos não afete famílias trabalhadoras nos EUA", disse ela, em comunicado.
Donald Trump, provável candidato republicano à Presidência dos EUA
Em visita à Escócia, Trump afirmou que existem semelhanças entre sua campanha e a Brexit. "Vejo um paralelo real", disse. "As pessoas querem recuperar seu país, querem a independência", afirmou.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Estupro coletivo

Em conversa pelo WhatsApp, delegado desqualifica vítima de estupro coletivo

O delegado da DRCI, Alessandro Thiers, foi afastado do caso
O delegado da DRCI, Alessandro Thiers, foi afastado do caso Foto: Guilherme Pinto / 18.02.2014
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Durante uma conversa num grupo de WhatsApp, obtida pelo EXTRA, o delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), desqualifica a jovem que denunciou um estupro coletivo a ele. No texto, o policial - afastado do caso neste domingo, após um pedido da então advogada da vítima, Eloisa Samy - afirma que não houve estupro.
"Alguns esclarecimentos sobre os fatos", começa ele, para em seguida dizer que o "termo de declaração da adolescente foi filmado". E vai além, afirmando: não houve estupro. Ele ainda comenta a entrevista da jovem ao "Fantástico", na qual ela contou detalhes sobre como se sentiu após o estupro coletivo: "No 'Fantástico' era outra pessoa. Sabe que temos fortes indícios de que não existiu estupro".
O delegado ainda faz referência ao estado das partes íntimas da jovem no vídeo.
O policial prossegue: "Ela teve relação consentida com uma pessoa e não usou drogas ou álcool nesse dia, conforme ela e as pessoas que estavam com ela declararam. O relato de abuso que ela fala no 'Fantástico', ela relata que foi há tempos atrás e inclusive que os autores não foram mortos pelo chefe do tráfico local (Da Russa) por pedido da adolescente. O único crime seria a divulgação do vídeo".
Sobre o número de pessoas que, segundo a jovem, a estupraram, Thiers diz que ele é alusão a um funk: "Os 33 no vídeo foi alusão a um funk onde diz mais de 20 engravidou (sic), onde o autor do vídeo diz que engravidou mais de 30 em alusão ao funk para tirar onda de 'comedor'".
O delegado ainda diz que "tem o envolvimento claro da adolescente com pessoas ligadas ao tráfico, tendo a mãe inclusive declarado que a filha é a todo o momento aliciada e que bastaria saber atirar para trabalhar no tráfico".
Ainda de acordo com Thiers, "a advogada, que acompanhou os termos junto com a mãe, pediu à adolescente que parasse de responder perguntas quando estava sendo questionada se conhece pessoas ligadas ao tráfico local, conforme declarado pela mãe e pela própria adolescente, alegando que essas respostas poderiam incriminá-la, mas a intenção era tentar ver se ela reconhecia algum dos alegados '33' que estariam no quarto".
O delegado diz que "diversas pessoas, inclusive a própria adolescente, confirmaram que a mesma frequentava a comunidade da Barão (o morro na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, onde a jovem contou que crime ocorreu), inclusive com contato direto e íntimo com traficantes da área".
E, no fim, Thiers insinua que a adolescente pode ter sido influenciada por Elisa Quadros, a Sininho - ativista acusada de envolvimento com uma série de protestos violentos ocorridos no Rio em 2014 -, já que Eloisa defende outros ativistas. "Por fim, tem que ser melhor investigado a participação de Eloisa Samy e Sininho influenciando a adolescente a apresentar da versão de estupro coletivo na polícia".


Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/em-conversa-pelo-whatsapp-delegado-desqualifica-vitima-de-estupro-coletivo-19395615.html#ixzz4ACl7dI7Q

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Gravação sugere articulação de Sarney e Renan contra Lava Jato, diz jornal

Gravação sugere articulação de Sarney e Renan contra Lava Jato, diz jornal

Novos diálogos envolvendo o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado foram divulgados pelo ''Jornal da Globo''
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Novos diálogos gravados do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com o ex-presidente José Sarney e o presidente do Senado Renan Calheiros sugerem articulações para influenciar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato. O áudio foi divulgado pelo "Jornal da Globo", na noite desta quinta-feira, 26. 

As conversas teriam ocorrido nos dias 10 e 11 de março. No diálogo, Sarney cita o ex-ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Cesar Asfor Rocha, como alguém próximo de Teori. ''Tem total acesso ao Teori. Muito muito muito muito acesso, muito acesso. Eu preciso falar com Cesar. A única coisa com o Cesar, com o Teori é com o Cesar", afirma Sarney.

A referência era uma resposta sobre um pedido de ajuda para “livrar” Machado de delação premiada. "Porque realmente, se me jogarem para baixo aí... Teori ninguém consegue conversar", disse o ex-presidente da Transpetro.
Na outra gravação, em que Renan participava, o advogado Eduardo Ferrão é citado. "O Renan me fez uma lembrança que pode substituir o Cesar [Asfor Rocha]. O Ferrão é muito amigo do Teori", diz Sarney.
Machado afirma, em outro trecho, que uma possível delação da Odebrecht poderia implicar a presidente afastada Dilma Rousseff por causa de pagamentos ao publicitário João Santana.

"A Odebrecht [...] vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula. E vão pegar a Dilma. Porque foi com ele quem tratou diretamente sobre o pagamento do João Santana foi ela", afirma Sarney. "Então eles vão fazer. Porque isso tudo foi muito ruim pra eles. Com isso não tem jeito. Agora precisa se armar. Como vamos fazer com essa situação. A oposição não vai aceitar. Vamos ter que fazer um acordo geral com tudo isso".

Assessores do presidente em exercício, Michel Temer, relatam apreensão no Governo, pois há informações de que o Ministério Público pode ter mais gravações de Machado. As conversas reforçariam as suspeitas de que a cúpula do PMDB estaria tentando barrar a Operação Lava Jato.
Redação O POVO Online