quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

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Os Oito Odiados": 8 motivos para amar ou odiar o novo filme de Tarantino
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Diego Assis
Natalia Engler
Do UOL, em São Paulo
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Os Oito Odiados (2016)13 fotos

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Cena de "Os Oito Odiados", do diretor Quentin Tarantino Divulgação
O oitavo filme de Quentin Tarantino como diretor, "Os Oito Odiados", chega ao Brasil nesta quinta-feira (7) (veja salas e horários) depois de ter dividido a crítica em sua estreia nos Estados Unidos. 
No longa, que se passa alguns anos depois da Guerra Civil americana, um grupo de desconhecidos é obrigado a passar a noite em uma estalagem isolada durante uma nevasca. Entre os presentes estão os caçadores de recompensa Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e John Ruth (Kurt Russell). Este último está transportando uma foragida da justiça, Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), e logo desconfia que alguém no grupo está ali para libertá-la. A tensão logo sairá do controle para desembocar em uma situação bem tarantinesca.
Apesar da premissa interessante, nem todo mundo continua fã incondicional do diretor de "Cães de Aluguel" e "Pulp Fiction" depois de assistir ao filme, e o longa alcançou uma média em torno de apenas 70% de aprovação em sites como o Metacritic e o Rotten Tomatoes, que reúnem e quantificam as avaliações dos críticos de cinema dos principais jornais e veículos do mundo.
Na redação do UOL, não foi diferente: teve quem aplaudisse e quem torcesse o nariz para o longa. Na impossibilidade de chegar a um acordo, listamos quatro motivos para amar e quatro motivos para odiar "Os Oito Odiados". Sirva-se à vontade e deixe o seu veredito na área de comentários abaixo.

4 motivos para amar "Os Oito Odiados"

O elenco
Se tem uma coisa que Tarantino sabe fazer como ninguém é escalar o seu time - um mix de velhos conhecidos da casa com atores consagrados, mas ligeiramente esquecidos. Nesse quesito, "Os Oito Odiados" é uma festa: tem Samuel L. Jackson em seu melhor papel em um filme de Tarantino desde "Pulp Fiction", tem Tim Roth e Michael Madsen emprestando o charme vintage de "Cães de Aluguel", tem Kurt Russell com credenciais que são a cara do diretor (astro de ação meio decadente, ex-talento mirim da Disney, anti-herói de filmes de John Carpenter, sósia de Elvis Presley em "3000 Milhas para o Inferno"...). Mas nada disso adiantaria não fosse o talento único de Tarantino para dirigir seu elenco, especialmente nos longos e intrincados diálogos que já se tornaram sua marca registrada.
A trilha sonora
Assim como bons olhos para escolher atores, Tarantino tem também uma sensibilidade ímpar para trabalhar as trilhas em seus filmes, garimpando e costurando pérolas da soul music, do pop radiofônico e das próprias trilhas de outros filmes antigos, fazendo-as servir ao clima que deseja dar à cena. Neste "Oito Odiados" ele passa a batuta para o compositor Ennio Morricone, que talvez você possa não conhecer de nome, mas certamente vai reconhecer "de ouvido" se já assistiu a um clássico de faroeste na vida. É essa música instrumental, ora sutil e minimalista, ora mais dinâmica e épica, que acompanha o público do começo ao fim do filme, ajudando a criar a atmosfera de suspense e ameaça à espreita que o roteiro - em que ninguém é exatamente o que parece ser - exige.
O passado --e o futuro-- do cinema
Não se engane pelo cenário e os personagens: há muito mais que uma homenagem aos filmes de faroeste de Sergio Leone e John Ford em "Os Oito Odiados". Como tudo no "metacinema" de Tarantino, há também citações a outros clássicos do cinema e da literatura, às histórias de mistério de Agatha Christie e do detetive Sherlock Holmes e a diretores como Alfred Hitchcock e Robert Altman. Sua paixão e dedicação pela história do cinema é tamanha que ele mandou praticamente "ressuscitar" um formato esquecido de negativo de cinema, o Ultra Panavision 70, para gravar e projetar o novo longa do jeito que imaginou. Se as salas de cinema não fecham as portas de uma vez por todas e se rendem a formatos bem mais cômodos - como as projeções digitais e serviços de "cinema em casa" como o Netflix -, é a caras como ele e Martin Scorsese que você deve agradecer.
Porque parece "Cães de Aluguel"
De uns tempos para cá, parece que releitura virou pecado. Primeiro, os fãs xiitas de "Star Wars" reclamando que o novo "O Despertar da Força" é cópia do original, "Uma Nova Esperança". Agora, bastaram as primeiras sessões de "Os Oito Odiados" para parte da crítica e do público desdenhar do filme como mais do mesmo: "Ele já fez isso em 'Cães de Aluguel'..." Bem, "Cães de Aluguel", de 1992, foi o primeiro longa de Tarantino e apontado pelo próprio como um de seus melhores trabalhos. Então por que, 24 anos depois, mais experiente e maduro, ele não pode revisitar algo que deu certo, mudar alguns ingredientes e servir numa nova embalagem? Sim, o filme usa o mesmo recurso de confinar personagens em uma sala enquanto um mistério vai sendo aos poucos revelado/desvendado, mas até aí podemos dizer o mesmo de "Festim Diabólico" (1948), de "12 Homens e uma Sentença" (1957), de "O Anjo Exterminador" (1962), de "Assassinato em Gosford Park" (2001) e até de "Jogos Mortais" (2004), ora bolas!

ASSISTA AO TRAILER DO FILME

4 motivos para odiar "Os Oito Odiados"

Porque parece "Cães de Aluguel" --só que pior
Você já sabe que "Os Oito Odiados" foi comparado a "Cães de Aluguel", um dos melhores filmes de Tarantino. Mas isso não é necessariamente bom. De fato, os melhores momentos do novo longa emergem da repetição da fórmula do primeiro filme do diretor: alguém não é exatamente quem diz ser e os personagens tentam não perder a cabeça enquanto especulam quem é o traidor, antes que tudo acabe em um inevitável banho de sangue. A repetição já dá indicações sobre como as coisas vão se desenrolar, tirando um pouco da graça, mas isso não seria um problema se a execução nos reservasse pequenas revelações e bons momentos. Só que as soluções dadas aqui pelo diretor não têm metade da elegância do filme de 1992.
O didatismo excessivo
Até chegar ao ápice, "Os Oito Odiados" é bem quadrado em seu formato, dividido em capítulos, e com diálogos didáticos, que apresentam ao espectador quase toda a história pregressa dos personagens principais, ou ao menos versões delas. Até aí, até que não incomoda tanto. Mas, quando o mistério está prestes a ser revelado, a ação é interrompida por uma explicação minuciosa de tudo que havia sido ocultado até o momento, em forma de flashback, com direito a narração do próprio Tarantino, para assegurar que o público não perca nada de importante. OK, sabemos que é uma referência a filmes de mistério no estilo Agatha Christie, mas faz pouco sentido revelar tudo antes mesmo do nosso Poirot ter descoberto a verdade. 
A misoginia
Quando o filme começa, ficamos com a impressão de que Daisy (Jennifer Jason Leigh) será um dos pontos centrais da trama, já que ela é o motivo que leva quase todos os personagens à estalagem isolada onde se encontram. Mas, conforme a história avança, ela nunca assume uma posição ativa. É sempre objeto, principalmente da violência e desprezo dos outros personagens, prontos a arrastá-la para lá e para cá com uma corrente e espancá-la gratuitamente, transformando-a em um caricatural saco de pancadas --olho roxo, dentes quebrados, rosto coberto de sangue... Não ficamos sabendo nem mesmo quais os crimes terríveis cometidos por ela, que justificam o alto preço oferecido por sua cabeça, e até seu final será menos digno do que o dos outros personagens, embora logo fique claro que ninguém vai se dar bem ali.
A violência pela violência
Quando "Os Oito Odiados" termina, tem-se a impressão de que Tarantino tentou entregar um comentário sobre a bizarra colcha de retalhos que forma a sociedade norte-americana atual, as consequências da escravidão, o racismo e as ressonâncias que a Guerra Civil tem até hoje. Mas a crítica nunca toma uma forma coesa e todo seu potencial escapa pelos dedos do diretor quando o filme finalmente se torna o banho de sangue prometido desde o começo. No final, dissolvem-se as referências aos faroestes e filmes de mistério e tudo se resolve como em um terror B: com carnificina e sadismo, em um nível excessivo até para um filme de Tarantino. A premissa que sobra é: se você colocar um bando de pessoas perversas em um mesmo espaço, elas vão acabar se matando. O único mistério é como - e esse como não justifica as quase três horas de sangue e alguns diálogos espertos. Sobra um niilismo cansativo e autorreferente.

VEJA ENTREVISTA COM QUENTIN TARANTINO

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sábado, 19 de dezembro de 2015

nelson barbosa novo ministro da fazenda

Em mensagem, Cunha cita repasse de R$ 5 milhões a Michel Temer

Pedro Ladeira/Folhapress
O vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, participam do congresso do PMDB em Brasília (DF)
O vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,em evento do PMDB
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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reuniu indícios de que o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), recebeu R$ 5 milhões do dono da OAS, José Adelmário Pinheiro, o Leo Pinheiro, um dos empreiteiros condenados em decorrência do escândalo da Petrobras.
A informação sobre o suposto pagamento a Temer está em uma das manifestações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, que fundamentou as buscas da Operação Catilinárias, deflagrada na última terça-feira (15).
A menção ao pagamento está em uma troca de mensagens entre Pinheiro e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em que o deputado reclama que o empreiteiro pagou a Temer e deixou "inadvertidamente adiado" o repasse a outros líderes peemedebistas.
"Eduardo Cunha cobrou Leo Pinheiro por ter pago, de uma vez, para Michel Temer a quantia de R$ 5 milhões, tendo adiado os compromissos com a 'turma'", afirmou Janot, conforme a reprodução feita no documento assinado por Teori.
Na sequência da troca de mensagens, via Whatsapp, Pinheiro pediu a Cunha "cuidado com a análise para não mostrar a quantidade de pagamentos dos amigos".
A conversa estava armazenada no celular do dono da OAS, apreendido em 2014.
Em resposta à Folha, o vice-presidente enviou extrato de cinco doações da OAS ao PMDB declaradas à Justiça Eleitoral entre maio e setembro de 2014, totalizando valor semelhante ao citado por Pinheiro, ou R$ 5,2 milhões (leia abaixo).
A troca de mensagens entre Cunha e o empreiteiro, contudo, indica que os R$ 5 milhões foram repassados de uma só vez.
As circunstâncias do pagamento –se foi doação oficial ao partido, caixa dois ou propina –e a data da troca de mensagens são mantidas em segredo pela PGR.
No documento que está nos autos da Cantilinárias, que corre em segredo de Justiça, Cunha é descrito como uma espécie de despachante dos interesses da OAS junto ao governo federal, a bancos estatais e a fundos de pensão, mantendo uma relação estreita com Pinheiro, à época o principal executivo da empreiteira.
O documento não diz expressamente que o suposto pagamento de R$ 5 milhões a Temer era propina, mas a menção ao vice-presidente aparece em um contexto geral de pagamento de suborno a peemedebistas.
Em trecho adiante, quando menciona uma operação financeira de compra de títulos lançados pela OAS por bancos públicos, a Procuradoria aponta ingerência de Cunha para favorecer a empreiteira, "mediante o pagamento de vantagem indevida aos responsáveis pelas indicações políticas, inclusive mediante doações oficiais".
A Folha apurou que membros da PGR consideram suspeita a citação aos R$ 5 milhões por Cunha e avaliam haver indícios de ser propina.
'A TURMA'
A Catilinárias atingiu a cúpula do PMDB nesta semana com policiais federais fazendo buscas nas casas de Cunha e de aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), entre outros.
Na interpretação do procurador-geral da República, a "turma" mencionada por Cunha incluía alguns expoentes do PMDB da Câmara, como Henrique Alves, que já presidiu a Casa e hoje é ministro, e o ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima (BA).
Geddel foi derrotado na disputa baiana para o Senado em 2014. Foi substituído na Câmara por seu irmão Lúcio Vieira Lima –hoje, um dos mais próximos aliados de Temer e um dos vetores da bancada peemedebista favorável ao impeachment de Dilma Rousseff.
Alves, ministro do Turismo, também foi alvo das buscas da Polícia Federal na última terça (15).
Preso preventivamente em 2014, Pinheiro foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão em primeira instância, por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Cabe ainda recurso à decisão judicial.
OUTRO LADO
O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), negou nesta sexta-feira (18) ter se beneficiado com o recebimento de qualquer recurso de origem ilícita.
Segundo sua assessoria de imprensa, o diretório nacional do PMDB recebeu, em 2014, um montante total de R$ 5,2 milhões da construtora OAS.
O valor é parecido ao citado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e reproduzido pelo ministro do Supremo Teori Zavascki na manifestação que embasou a Operação Catilinárias.
A assessoria do vice-presidente destacou que o montante foi declarado nas prestações de contas do partido enviadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e não houve nenhuma ilegalidade na operação.
"Não há nenhum problema em relação a isso e tudo ocorreu com absoluta transparência", diz a assessoria de imprensa.
As doações foram feitas em cinco parcelas pagas entre os meses de maio e setembro de 2014, conforme documento enviado pela assessoria do vice-presidente.
Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, não quis se manifestar. A Folha não conseguiu falar com os advogados dele.
A defesa de Leo Pinheiro também não quis fazer comentários.
Questionado sobre a referência a seu nome como parte da "turma" do PMDB para a qual teriam sido cobrados pagamentos de Leo Pinheiro, o ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) se limitou a dizer que "a OAS foi uma das colaboradoras oficiais da campanha do PMDB em 2014".
Outro citado, o ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima disse que nunca precisou de Eduardo Cunha "ou quem quer que fosse" para intermediar doações de campanha" para ele.
"Sempre mantive relação com o empresariado baiano. O Leo Pinheiro, como o Marcelo Odebrecht, são meus amigos. Não ia precisar de intermediário", disse Geddel, que disputou o Senado pela Bahia em 2014.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) se recusou a fazer comentários sobre as mensagens que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) trocou com Pinheiro.
A procuradoria também não respondeu se abriu ou não inquérito contra Michel Temer em razão da citação de seu nome na conversa entre o empreiteiro e o presidente da Câmara.
A assessoria de Janot afirma que ele não vai se manifestar porque os autos da Operação Catilinárias correm em segredo de Justiça. 

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